Brão

Bela lembrança do mestre Ivan Vilela.

Só havia visto um vídeo mais curto, há alguns anos. Agora está disponível um documentário mais longo no You Tube, produzindo pela Vento de Maio Filmes, com apoio do ProAC.

“Brão é um canto de trabalho feito pelos homens da zona rural da região de São Luiz do Paraitinga – SP (Lagoinha, Catuçaba, Cunha etc). Atualmente, este canto está sendo cada vez mais raro de acontecer, tendo nas iniciativas de registros audiovisuais, sonoros, fotográficos e escritos a garantia da sua existência.”

É dia de Reis

Hoje é dia de Santos Reis.

Já falei muito, aqui e em outros espaços, sobre a minha relação com a manifestação cultural e religiosa que é praticada em torno desta data e do que ela representa. A experiência mais marcante que tive com este folguedo foi em Palmital, no interior de São Paulo, onde fui pesquisar a viola caipira dentro das festas tradicionais. Desta experiência saiu um documentário, que já divulguei bastante por meio deste blog e por outros meios também. O mais interessante disso tudo é que este pequeno documentário, mesmo que de forma tímida, ganhou força o suficiente para difundir a Folia de Reis por diversos cantos do Brasil e do mundo.

Até agora “REIS – os violeiros de Palmital”, já esteve na Eslovênia, Rússia, México e em várias cidades do Brasil, em encontros de antropologia visual, de filmes etnográficos, em festivais de cinema e documentário. Já o apresentei em encontros específicos, como por exemplo, em Bragança Paulista, no próprio dia de Reis de 2014, em um evento organizado juntamente à Orquestra Violeiros do Rio Jaguary e minha querida amiga Irmei Menezes de Liz, regente da orquestra. Na ocasião, a Irmei queria montar uma Folia lá em Bragança e o filme foi importante para dar ânimo ao grupo que, neste ano de 2015 já saiu visitando as casas da cidade, fazendo o giro. Mais recentemente estive no FECIM-Festival de TV e Cinema do Interior do Espírito Santo, em Muqui, terra que tem o maior encontro de Folias de Reis do país. Quando estive lá, pude conhecer as Folias locais e a maneira como as pessoas de lá vivem essa tradição, o que foi um privilégio enorme. Logo posto o vídeo que fiz lá em Muqui.

Como documentarista, posso dizer, a experiência mais interessante de todas é, com certeza, mostrar trabalhos como este para os atores sociais, as personagens reais do filme. A reação do povo de Palmital ao filme, na sessão que fizemos no centro cultura da cidade, em julho de 2013, foi algo que marcou pra sempre.

Há muitas outras histórias ligadas a esta experiência e muito ainda está por vir, eu sei. De qualquer forma, este é um trecho no meio do caminho, um dos trechos, porque ainda há muitos pela frente. Etapas como esta, eu digo, não podem ser puladas. Pois pra quem não conhece essa parte da viola e de seu universo, a parte das tradições, sempre vai faltar alguma coisa. Digo isso pois eu desconfiava e confirmei, e confirmo, vivendo. Disseram e posso dizer também: não acaba nunca.

Agora posto aqui o documentário na íntegra.

Viva Santo Reis!

Trio José

Trio José é um grupo de São José dos Campos, no interior de São Paulo, formado por Danilo Moura (voz e violão), Victor Mendes (voz e viola) e Marcos Godói (bateria) e conta com a parceria de outros artistas na composição e execução de suas músicas. O trio trabalha com a música caipira, trazendo a sonoridade e os temas deste universo em suas canções.

No final de 2014 o Trio José lançou o CD “Puisia”, com poemas de Juca da Angélica, poeta popular de Patos de Minas, musicados por Danilo Moura, Victor Mendes, Saulo Alves (Desaboio) e Maria Fernanda. Este CD pode ser ouvido gratuitamente acessando os links abaixo.

Deezer: http://www.deezer.com/album/9314030
Rdio: http://rd.io/x/Qj4N5LI/
Spotify: http://open.spotify.com/album/4BzS8bJRMIa0uFa3FxVjG4

Importante citar aqui o valioso trabalho do poeta Paulo Nunes, que reuniu os poemas de Juca da Angélica no livro “Meu Canto é Saudade” e que também registrou em áudio o próprio Juca declamando os poemas. Este projeto é a fonte de onde bebem os integrantes do Trio José para a realização de grande parte de seus trabalhos, mesmo antes da gravação deste CD. Mais do que isso, Paulo e Trio José desenvolvem uma forte parceria e se apresentam juntos muitas vezes. Nessas apresentações Paulo declama poesias e o trio dá conta da parte musical.

Eu tinha a intenção de gravar um depoimento com o grupo para explorar a relação que seus integrantes têm com a cultura caipira. Este é um tema que venho trabalhando em um novo documentário que estou produzindo. Em novembro de 2014, me encontrei com o Danilo e o Victor no estúdio Bojo Elétrico, em São Paulo, para gravar um depoimento, dias após ter ouvido com muita atenção o “Puisia”.  Um pouco da nossa conversa está agora na tela.

Singularidades da Viola – apresentação

A nova projeção da viola caipira e sua inserção em espaços como escolas de música e universidades, nas últimas décadas, fez com que surgisse uma grande quantidade de alunos e tocadores de viola. A internet, já consagrada como um poderoso meio de compartilhamento de informações, vem sendo muito utilizada, neste sentido, por músicos, de maneira geral. No que diz respeito ao público da viola caipira, não é diferente. Em decorrência da escassez de métodos e material impresso e muito pelo fato de se aproximar à dinâmica visual que foi desenvolvida para o aprendizado da viola na tradição oral, os vídeos postados na internet, em que violeiros dão dicas e fazem demonstrações de práticas com o instrumento, se tornaram um importante material de apoio para este público.

Considerando que, tanto a internet quanto o ensino formal da viola caipira, são fenômenos relativamente recentes, é possível pensar que, se por um lado o conjunto de materiais que circula na rede, referente às práticas do instrumento,  é rico em sua diversidade e possui liberdade de compartilhamento, por outro lado ele é tão diversificado a ponto de se tornar disperso, em certa medida. Além disso, devido às possibilidades que a internet proporciona, grande parte desse material é produzido e difundido de forma amadora, não se valendo de recursos técnicos e didáticos adequados.

O projeto “Singularidades da Viola”  foi criado para somar-se às demais experiências, oferecendo ao público um material de referência, levando em conta práticas que, apesar da natureza aparentemente simples e até corriqueiras, podem passar desapercebidas dos tocadores e assim ocultar detalhes que são essenciais no conhecimento do instrumento e para a performance com o mesmo.

A princípio, o projeto, visa a produção de 10 vídeos com duração de cinco minutos. Cada episódio contará com a presença de um violeiro, que será convidado a destrinchar um dos temas propostos: cuidados e conservação da viola; encordoamento e forma de encordoar; tipos de afinação e repertório; equipamentos e acessórios para show etc. Além disso, o projeto pretende abarcar em seu conteúdo a cultura referente ao universo do instrumento e estender a discussão para outros canais.

O projeto está em fase de captação e procura apoio para ser realizado.

Neste vídeo de apresentação, Saulo Alves, músico, pesquisador de cultura popular e propositor do projeto “Singularidades da Viola”, dá mais detalhes junto ao violeiro e professor de viola caipira Fábio Miranda.

Desaboio

Conheci o músico e pesquisador Saulo Alves por conta de sua tese de doutorado sobre o ensino da viola caipira, assunto que venho pesquisando para realizar um novo documentário. Fiz o primeiro contato pela internet e assim fomos nos conhecendo. Mineiro de Ituiutaba, em 2013 Saulo veio morar mais uma vez em São Paulo para dar continuidade aos seus estudos. Na primeira oportunidade, nos encontramos para bater um papo pessoalmente. Eu aproveitei para lhe mostrar o meu curta que estava saindo do forno. Na ocasião, ele me falou de um projeto musical que estava realizando, o “Desaboio”. Faltava pouco pra terminar. Fiquei curioso e esperei para saber mais.

Na semana seguinte o Saulo me ligou de noite. Estava saindo da sessão de mixagem e tinha um CD com uma pré-mix do Desaboio na mão. Em questão de horas ele chegou na minha casa com esse CD e um vinho. Ele, eu e minha esposa Carol ouvimos o CD tomando o vinho. Aí o Saulo foi explicando quem era quem naquele projeto e eu fui conhecendo ali um pessoal que fui achando bacana demais.

A partir dessa noite eu passei a ouvir bastante o Desaboio. Agora, em agosto de 2014, o projeto está pronto: um CD que tem um encarte que é um livro. É difícil de saber onde começa uma coisa e termina a outra. Eu percebo o processo de criação desse projeto se dando exatamente dessa forma. As letras do Paulo Nunes musicadas pelo Saulo viraram todas uma coisa só, extrapolando os limites de cada canção, num painel onde muitos outros artistas vieram somar, fazendo cada um dos elementos se configurar como parte significativa do todo.

Acima de tudo, a grande beleza que vejo nesse projeto é a maneira como focaliza a condição atual do Cerrado, falando das coisas como são e não de “como foram há tempos atrás”. Acredito muito nesse tipo de pensamento, nas coisas que se transformam e não se congelam no tempo, o fogo que queima o pau da árvore pra dar lugar a outra coisa. Essa coisa existe e o Desaboio em si é isso.

O projeto pode ser visto no site desaboio.com, onde pode-se adquirir o CD com o livro, além de acessar o conteúdo online.

Na tela: Paulo Nunes, Saulo Alves e Victor Mendes.

Fábio Miranda

Fábio Miranda é um jovem violeiro de Brasília. O cara é muito talentoso e seu toque na viola tem bastante intenção. Isso pode ser conferido nas canções do seu disco “Caravana Solidão” (2012). Muitas músicas estão disponíveis na internet, no site do violeiro e também em seu canal do YouTube. Nestes espaços também pode-se ter um contato com outras produções do Fábio.

Na vídeo, um trecho do que foi feito em maio de 2014, no Bairro da Lapa, em São Paulo. Num fim de tarde de bastante improviso, uma palhinha do seu novo disco “Chamamento”, que está sendo finalizado.

Viola na tela do CineDocumenta (Ipatinga MG)

O documentário “REIS-os violeiros de Palmital” foi selecionado para a CineDocumenta, 10ª mostra de cinema documentários de Ipatinga MG, que neste ano tem como tema “cinema e literatura”. Serão exibidos 20 documentário de várias regiões do Brasil, de 15 à 18 de maio. A sessão do documentário “REIS-os violeiros de Palmital” será no dia 18 de maio, às 19h, no Parque Ipanema.

http://www.cinedocumenta.com.br/2014/programacao.php

Captura de Tela 2014-05-08 às 17.59.41

Documentário “REIS-os violeiros de Palmital” no Festival Days of Ethnographic Film

O meu documentário “Reis-os violeiros de Palmital” vai passar no “Days of Ethnographic Film”, festival de documentários etnográficos que ocorre em Liubliana, na Eslovênia, na semana que vem. O Festival é promovido pelo Museu Etnográfico Esloveno. O documentário vai passar no dia 14 de Março .
É muita honra representar a nossa cultura em um Festival tão importante como esse, entre tantos documentários interessantíssimos.
O projeto está cumprindo um papel bacana. Que bom.
Captura de Tela 2014-03-04 às 22.09.57Link para o catálogo completo do festival AQUI:

VIOLA DE LUTA – ANVB e Movimento de Viola

Em dezembro de 2013, a Associação Nacional de Violeiros do Brasil, em parceria com o MST e outros orgãos, realizou o Seminário Preparatório para o 6° Encontro Nacional dos Violeiros e Violeiras. Na ocasião diversos violeiros e músicos ligados a cultura de raiz estiveram reunidos em São Paulo para discutir as diretrizes para a realização do evento. Além disso, o seminário proporcionou debates acerca da importância do fortalecimento da cultura da viola caipira e da união entre os violeiros de todo o Brasil, na luta e resistência a favor da música caipira .

Foi neste ambiente, que pela primeira vez pude ouvir falar, de uma forma mais clara, sobre o Movimento de Viola. Indo além da questão musical e extrapolando as questões ligadas diretamente ao instrumento, o Movimento de Viola abrange vários grupos, práticas e manifestações que cercam o universo da cultura caipira e sertaneja (a cultura oral; as tradições dos mestres; as Folias; os trabalhadores rurais; os artesãos; etc), levando em conta o espírito de resistência que esta cultura tem em relação às tecnologias e aos meios de produção impostas pelo capitalismo.

Confirmei a minha impressão de que este seja um movimento espontâneo, longe de ser institucionalizado. Apesar de haverem, ao meu ver, várias frentes da música e da cultura sertanejas que comungam de seus valores. No caso deste grupo específico, por mim pesquisado na ocasião, trata-se de indivíduos ligados aos movimentos sociais ou que se identificam com estes. Foi exatamente nesta perspectiva que nasceu a Associação Nacional dos Violeiros do Brasil.

Tive o prazer de entrevistar os violeiros Bilora e Joaci Ornelas, além de gravar algumas apresentações.

Está na tela.

A música portuguesa a gostar dela própria

uma pesquisa sobre o universo atual da viola caipira

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Ser-Tão Paulistano

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Os Povos da Cuesta

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Grupo Redimunho de Investigação Teatral

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FÓSFORO

Literatura, música e uma pitada do resto de tudo.

Prefácio Cultural

Adriano de Almeida

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*Viola Sem Fronteira*

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