Wilson Teixeira

Wilson Teixeira é um jovem violeiro e compositor natural da cidade de Avaré, no interior de São Paulo.

Conheci o seu trabalho em Outubro de 2011, no Sesc Pompéia, em São Paulo. Na ocasião ele abria um show do Ivan Vilela. Eu nunca tinha ouvido uma só música dele. E gostei, logo de cara, pois o caboclo me inspirou coisas muito boas. A formação da banda me agradou muito (viola, violão, contrabaixo e percussão [não lembro se naquele dia tinha sanfona]) e os arranjos me conquistaram pela criatividade. À frente da banda, Wilson manda muito bem na viola e na voz e com um jeitão de bom moço meio tímido, cria um clima de conversa entre uma música e outra.

Gostei muito do seu CD Almanaque Rural (2007), muito bem acabado, com arranjos na medida e letras bem interessantes. É o tipo de trabalho que mistura gêneros das músicas caipira e sertaneja em uma nova roupagem. Mas tinha algo ali que eu não conseguia definir…

Em Setembro de 2012, fui a outro show do Wilson, este era uma homenagem que ele fazia para Tonico e Tinoco, no Sesc Pinheiros, também em São Paulo. Confirmei a impressão que tinha dele: um típico exemplo de jovem que se apropria de elementos de violeiros tradicionais de forma livre e inovadora, não só no que diz respeito à técnica, mas a tudo o que compõe a linguagem, a performance e a mis en cene dos antigos violeiros.
Desta vez, antes do show, batemos um papo. E o que eu não conseguia definir em Wilson Teixeira ficou muito mais claro depois da conversa. Eu diria que ele tem algo no meio do caminho, puxando de trás e empurrando pra frente, sempre em movimento.

Assista aos vídeos:

Neste outro vídeo Wilson Teixeira toca “Trem de Verão”, música de sua autoria.

João Paulo Amaral

O primeiro contato que tive com a produção artística de João Paulo Amaral se deu quando conheci dois trabalhos interessantíssimos dos quais participa: o Grupo Conversa Ribeira e o Trio Carapiá. Depois descobri o seu trabalho solo,  tão interessante quanto.  Nos três trabalhos o cara utiliza a viola em uma perspectiva contemporânea, mas também se apropriando das formas tradicionais.
Na verdade, o que mais me chama atenção neste personagem da música brasileira é o quanto é completo e complexo, no que se refere ao atual momento da viola caipira, e o quanto ele representa, naturalmente, a nova geração de violeiros, desde aqueles que estão estudando o instrumento e suas formas de representação, até aqueles que estão nos palcos, em performances as mais diversas, das mais simples às mais sofisticadas.

Além de desenvolver um trabalho artístico inovador, João Paulo também leciona o instrumento e dirige a Orquestra Filarmônica de Violas de Campinas, criada por Ivan Vilela em 2001. Por isso, pode-se dizer que ele não só está totalmente inserido no novo contexto da viola, como também contribui diretamente para a conquista de novos espaços e para a busca de novas linguagens.

Assista aos vídeos:

No final de Junho, estive no Sesc Campinas, nos bastidores do show da Orquestra Filarmônica de Violas, onde gravei uma das minhas conversas com João Paulo. Ele falou sobre a sua relação com a Orquestra e sobre a importância das orquestras para o ensino/aprendizagem do instrumento no Brasil.

Neste outro vídeo que gravei, João Paulo faz uma participação no show de lançamento do CD “SM, XLS”, de sua irmã Juliana Amaral. O show foi realizado no Sesc Pompéia, em Agosto.

Aqui é possível ver de que forma o violeiro explora a grande versatilidade do instrumento.

 

 

 

Saulo Sandro Alves Dias

Há dias atrás tive o prazer de conversar por cerca de uma hora com Saulo Sandro Alves Dias, músico de Ituiutaba, no interior de Minas. Tenho buscado informações e apoio dele há alguns meses, pois sua tese de doutorado, defendida em 2010 na Faculdade de Educação da USP, trata de um tema que me é caríssimo: o processo de escolarização da viola caipira. Assim, ele já se tornou mais um parceiro.

A tese, que já foi publicada, teve um primeiro lançamento lá em Ituiutaba e logo vai ser lançada em São Paulo. Mas é possível encontrar o texto na Biblioteca Digital da USP através do link. Saulo aborda ali o processo recente que levou a viola caipira para as escolas e universidades e as questões históricas e sociais inerentes a este processo no Brasil.

Eu gravei a conversa que tive com ele, feita pela internet, via skype. Foi muito interessante. Ele falou sobre o efeito multiplicador da escolarização da viola caipira e sobre a influência da tradição das duplas sobre os novos violeiros.

Na tela, trechos desta conversa.