É dia de Reis

Hoje é dia de Santos Reis.

Já falei muito, aqui e em outros espaços, sobre a minha relação com a manifestação cultural e religiosa que é praticada em torno desta data e do que ela representa. A experiência mais marcante que tive com este folguedo foi em Palmital, no interior de São Paulo, onde fui pesquisar a viola caipira dentro das festas tradicionais. Desta experiência saiu um documentário, que já divulguei bastante por meio deste blog e por outros meios também. O mais interessante disso tudo é que este pequeno documentário, mesmo que de forma tímida, ganhou força o suficiente para difundir a Folia de Reis por diversos cantos do Brasil e do mundo.

Até agora “REIS – os violeiros de Palmital”, já esteve na Eslovênia, Rússia, México e em várias cidades do Brasil, em encontros de antropologia visual, de filmes etnográficos, em festivais de cinema e documentário. Já o apresentei em encontros específicos, como por exemplo, em Bragança Paulista, no próprio dia de Reis de 2014, em um evento organizado juntamente à Orquestra Violeiros do Rio Jaguary e minha querida amiga Irmei Menezes de Liz, regente da orquestra. Na ocasião, a Irmei queria montar uma Folia lá em Bragança e o filme foi importante para dar ânimo ao grupo que, neste ano de 2015 já saiu visitando as casas da cidade, fazendo o giro. Mais recentemente estive no FECIM-Festival de TV e Cinema do Interior do Espírito Santo, em Muqui, terra que tem o maior encontro de Folias de Reis do país. Quando estive lá, pude conhecer as Folias locais e a maneira como as pessoas de lá vivem essa tradição, o que foi um privilégio enorme. Logo posto o vídeo que fiz lá em Muqui.

Como documentarista, posso dizer, a experiência mais interessante de todas é, com certeza, mostrar trabalhos como este para os atores sociais, as personagens reais do filme. A reação do povo de Palmital ao filme, na sessão que fizemos no centro cultura da cidade, em julho de 2013, foi algo que marcou pra sempre.

Há muitas outras histórias ligadas a esta experiência e muito ainda está por vir, eu sei. De qualquer forma, este é um trecho no meio do caminho, um dos trechos, porque ainda há muitos pela frente. Etapas como esta, eu digo, não podem ser puladas. Pois pra quem não conhece essa parte da viola e de seu universo, a parte das tradições, sempre vai faltar alguma coisa. Digo isso pois eu desconfiava e confirmei, e confirmo, vivendo. Disseram e posso dizer também: não acaba nunca.

Agora posto aqui o documentário na íntegra.

Viva Santo Reis!

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