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PEREIRA DA VIOLA – O “SER ARTISTA”

Estou há um tempo refletindo sobre a forma como, nas últimas décadas, a figura do violeiro vem sendo representada nas mídias brasileiras.

Minhas questões têm sido bem variadas, mas venho afunilando as ideias. Quais são, por exemplo, os critérios que as mídias utilizam para se valerem de determinados aspectos da cultura popular? O que as faz dar mais ou menos foco a determinadas regiões do país? O que as faz projetar este ou aquele tipo de artista? De que forma se valem da música de viola? E, por fim, quais são os tipos de violeiros que tem mais ou menos projeção nas mídias atuais?

Este é um tema com o qual venho trabalhando e sobre o qual pretendo produzir e pesquisar mais. Pensando nisso, fomos eu, o Saulo Alves e a Carolina Scatolino conversar com Pereira da Viola, na II Feira Nacional da Reforma Agrária, em São Paulo, em maio de 2017.

Queria muito falar com o Pereira exatamente para entender de que forma ele se enxerga como violeiro e como artista. Acreditava que seu ponto de vista me ajudaria na busca por compreender as escolhas das mídias acerca do universo da viola, da chamada música de raíz ao sertanejo.

O violeiro e pesquisador Fabiuz DZ, do Trio Tamoyo, que produz as atrações musicais do evento, deu a maior força para que conseguíssemos entrevistar o Pereira no camarim. Foi bem rapidinho, pois o camarim já estava reservado para a cantora Kátia Teixeira. Mas valeu a pena. Ficou combinado uma conversa mais longa pra outra ocasião.

Logo volto a falar sobre esse tema aqui no blog.

 

O TIPLE COLOMBIANO NA VIOLADA

A Violada é um evento musical realizado mensalmente, ao longo do ano de 2017, na Casa Mora Mundo, no Bairro da Barra Funda, em São Paulo. Como o nome já sugere, a Violada tem como objetivo reunir diversos artistas que trabalham com a viola em uma perspectiva autoral. Este circuito é totalmente independente, o que, segundo o seu idealizador, Fábio Miranda, é a uma das propostas do projeto. Neste sentido é um espaço para violeiros que procuram tocar, apresentar seus projetos e trocar experiências, fora do ambiente do mercado tradicional.

Para levar o evento também a outros espaços, Fábio Miranda firmou parceria com outros artistas, como o violeiro Bruno Sanches, com quem tive a oportunidade de conversar na edição da Violada de abril.

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Violada na Casa Mora Mundo (29/04/17). Apresentação do violeiro Bruno Sanches e participantes.

Fui filmar para o documentário Viola Perpétua, para abordar o caráter independente e autoral do evento e a visão dos artistas participantes sobre a criação de espaços como este.

Como a dinâmica dos shows é bem livre, deixando espaço para imprevistos e improvisos, encontrei o que fui buscar e muito mais. Um dos momentos muito interessantes foi a apresentação do músico colombiano Aleksey Benavides Rodríguez, integrante do grupo de música caribenha e latino-americana Triptico. Aleksey estava ali na ocasião com um instrumento do seu país, o tiple. Diferente da viola caipira, que tem cinco grupos de cordas duplas, o tiple é um cordofone de quatro grupos de três cordas, sendo que no primeiro grupo, como demonstrou Aleksey, as três cordas são agudas, e em cada um dos outros três grupos as cordas de fora são agudas e a de dentro é grave, o que segundo o tocador faz com que o instrumento seja bem harmônico. O tiple é afinado em MI-SI-SOL-RÉ, faltando apenas as duas outras LÁ-MI, para completar a afinação igual à do violão, que também faz parte da formação típica que compõe o trio de cordas da música popular colombiana: bandola, tiple e violão.

Convidado por Fábio Miranda para interpretar alguma música do repertório tradicional de seu país, Aleksey cantou “Mi Cafetal”, de Rafael Godoy, que é um Bambuco, ritmo típico e muito popular na Colômbia. Eu achei que tem muitos elementos parecidos com o Chamamé e a Polca Paraguaia.

Compartilho aqui na tela este momento que filmei.

A Violada-Circuito autoral de violas brasileiras, em São Paulo, é realizada na Casa Mora Mundo, todo último sábado de cada mês, até o final do ano de 2017, mas o circuito já está se estendendo para outras cidades.

Singularidades da Viola – apresentação

A nova projeção da viola caipira e sua inserção em espaços como escolas de música e universidades, nas últimas décadas, fez com que surgisse uma grande quantidade de alunos e tocadores de viola. A internet, já consagrada como um poderoso meio de compartilhamento de informações, vem sendo muito utilizada, neste sentido, por músicos, de maneira geral. No que diz respeito ao público da viola caipira, não é diferente. Em decorrência da escassez de métodos e material impresso e muito pelo fato de se aproximar à dinâmica visual que foi desenvolvida para o aprendizado da viola na tradição oral, os vídeos postados na internet, em que violeiros dão dicas e fazem demonstrações de práticas com o instrumento, se tornaram um importante material de apoio para este público.

Considerando que, tanto a internet quanto o ensino formal da viola caipira, são fenômenos relativamente recentes, é possível pensar que, se por um lado o conjunto de materiais que circula na rede, referente às práticas do instrumento,  é rico em sua diversidade e possui liberdade de compartilhamento, por outro lado ele é tão diversificado a ponto de se tornar disperso, em certa medida. Além disso, devido às possibilidades que a internet proporciona, grande parte desse material é produzido e difundido de forma amadora, não se valendo de recursos técnicos e didáticos adequados.

O projeto “Singularidades da Viola”  foi criado para somar-se às demais experiências, oferecendo ao público um material de referência, levando em conta práticas que, apesar da natureza aparentemente simples e até corriqueiras, podem passar desapercebidas dos tocadores e assim ocultar detalhes que são essenciais no conhecimento do instrumento e para a performance com o mesmo.

A princípio, o projeto, visa a produção de 10 vídeos com duração de cinco minutos. Cada episódio contará com a presença de um violeiro, que será convidado a destrinchar um dos temas propostos: cuidados e conservação da viola; encordoamento e forma de encordoar; tipos de afinação e repertório; equipamentos e acessórios para show etc. Além disso, o projeto pretende abarcar em seu conteúdo a cultura referente ao universo do instrumento e estender a discussão para outros canais.

O projeto está em fase de captação e procura apoio para ser realizado.

Neste vídeo de apresentação, Saulo Alves, músico, pesquisador de cultura popular e propositor do projeto “Singularidades da Viola”, dá mais detalhes junto ao violeiro e professor de viola caipira Fábio Miranda.

Viola na tela do CineDocumenta (Ipatinga MG)

O documentário “REIS-os violeiros de Palmital” foi selecionado para a CineDocumenta, 10ª mostra de cinema documentários de Ipatinga MG, que neste ano tem como tema “cinema e literatura”. Serão exibidos 20 documentário de várias regiões do Brasil, de 15 à 18 de maio. A sessão do documentário “REIS-os violeiros de Palmital” será no dia 18 de maio, às 19h, no Parque Ipanema.

http://www.cinedocumenta.com.br/2014/programacao.php

Captura de Tela 2014-05-08 às 17.59.41