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O TIPLE COLOMBIANO NA VIOLADA

A Violada é um evento musical realizado mensalmente, ao longo do ano de 2017, na Casa Mora Mundo, no Bairro da Barra Funda, em São Paulo. Como o nome já sugere, a Violada tem como objetivo reunir diversos artistas que trabalham com a viola em uma perspectiva autoral. Este circuito é totalmente independente, o que, segundo o seu idealizador, Fábio Miranda, é a uma das propostas do projeto. Neste sentido é um espaço para violeiros que procuram tocar, apresentar seus projetos e trocar experiências, fora do ambiente do mercado tradicional.

Para levar o evento também a outros espaços, Fábio Miranda firmou parceria com outros artistas, como o violeiro Bruno Sanches, com quem tive a oportunidade de conversar na edição da Violada de abril.

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Violada na Casa Mora Mundo (29/04/17). Apresentação do violeiro Bruno Sanches e participantes.

Fui filmar para o documentário Viola Perpétua, para abordar o caráter independente e autoral do evento e a visão dos artistas participantes sobre a criação de espaços como este.

Como a dinâmica dos shows é bem livre, deixando espaço para imprevistos e improvisos, encontrei o que fui buscar e muito mais. Um dos momentos muito interessantes foi a apresentação do músico colombiano Aleksey Benavides Rodríguez, integrante do grupo de música caribenha e latino-americana Triptico. Aleksey estava ali na ocasião com um instrumento do seu país, o tiple. Diferente da viola caipira, que tem cinco grupos de cordas duplas, o tiple é um cordofone de quatro grupos de três cordas, sendo que no primeiro grupo, como demonstrou Aleksey, as três cordas são agudas, e em cada um dos outros três grupos as cordas de fora são agudas e a de dentro é grave, o que segundo o tocador faz com que o instrumento seja bem harmônico. O tiple é afinado em MI-SI-SOL-RÉ, faltando apenas as duas outras LÁ-MI, para completar a afinação igual à do violão, que também faz parte da formação típica que compõe o trio de cordas da música popular colombiana: bandola, tiple e violão.

Convidado por Fábio Miranda para interpretar alguma música do repertório tradicional de seu país, Aleksey cantou “Mi Cafetal”, de Rafael Godoy, que é um Bambuco, ritmo típico e muito popular na Colômbia. Eu achei que tem muitos elementos parecidos com o Chamamé e a Polca Paraguaia.

Compartilho aqui na tela este momento que filmei.

A Violada-Circuito autoral de violas brasileiras, em São Paulo, é realizada na Casa Mora Mundo, todo último sábado de cada mês, até o final do ano de 2017, mas o circuito já está se estendendo para outras cidades.

Singularidades da Viola – apresentação

A nova projeção da viola caipira e sua inserção em espaços como escolas de música e universidades, nas últimas décadas, fez com que surgisse uma grande quantidade de alunos e tocadores de viola. A internet, já consagrada como um poderoso meio de compartilhamento de informações, vem sendo muito utilizada, neste sentido, por músicos, de maneira geral. No que diz respeito ao público da viola caipira, não é diferente. Em decorrência da escassez de métodos e material impresso e muito pelo fato de se aproximar à dinâmica visual que foi desenvolvida para o aprendizado da viola na tradição oral, os vídeos postados na internet, em que violeiros dão dicas e fazem demonstrações de práticas com o instrumento, se tornaram um importante material de apoio para este público.

Considerando que, tanto a internet quanto o ensino formal da viola caipira, são fenômenos relativamente recentes, é possível pensar que, se por um lado o conjunto de materiais que circula na rede, referente às práticas do instrumento,  é rico em sua diversidade e possui liberdade de compartilhamento, por outro lado ele é tão diversificado a ponto de se tornar disperso, em certa medida. Além disso, devido às possibilidades que a internet proporciona, grande parte desse material é produzido e difundido de forma amadora, não se valendo de recursos técnicos e didáticos adequados.

O projeto “Singularidades da Viola”  foi criado para somar-se às demais experiências, oferecendo ao público um material de referência, levando em conta práticas que, apesar da natureza aparentemente simples e até corriqueiras, podem passar desapercebidas dos tocadores e assim ocultar detalhes que são essenciais no conhecimento do instrumento e para a performance com o mesmo.

A princípio, o projeto, visa a produção de 10 vídeos com duração de cinco minutos. Cada episódio contará com a presença de um violeiro, que será convidado a destrinchar um dos temas propostos: cuidados e conservação da viola; encordoamento e forma de encordoar; tipos de afinação e repertório; equipamentos e acessórios para show etc. Além disso, o projeto pretende abarcar em seu conteúdo a cultura referente ao universo do instrumento e estender a discussão para outros canais.

O projeto está em fase de captação e procura apoio para ser realizado.

Neste vídeo de apresentação, Saulo Alves, músico, pesquisador de cultura popular e propositor do projeto “Singularidades da Viola”, dá mais detalhes junto ao violeiro e professor de viola caipira Fábio Miranda.