Os Povos da Cuesta

Estamos acompanhando um projeto muito interessante que o cineasta Luiz Carlos Lucena está realizando sobre a região de Botucatu-SP. Os “Os Povos de Cuesta” é uma série de documentários que se propõe a seguir a trilha das pesquisas realizadas pelo sociólogo Antonio Candido, que deram origem ao livro os “Os Parceiros do Rio Bonito”, obra que é referência mundial no que diz respeito aos modos de vida do homem rústico do interior paulista, ou seja, o caipira.

lucena
O cineasta Luiz Carlos Lucena, diretor da série “Os Povos da Cuesta”.

Agora, Lucena se propõe a lançar luz sobre esta região, que é denominada “Cuesta de Botucatu”, abordando a cultura local e os modos de vida atuais da população que ali habita.

Abaixo a entrevista que o cineasta cedeu ao Viola na Tela e também o teaser do projeto, que já dá uma ideia do que vem por aí.:

 

Em que consiste o projeto e como surgiu a ideia?

O projeto surgiu a partir de uma pesquisa de locação para um longa metragem que vai ser realizado na região. Achei fascinante aquela natureza exuberante e os “povos” que moram por lá. Daí criei este projeto – O Povos da Cuesta, que tem quatro temas principais que formam os episódios da série: qual a história geomorfológica dessa região, que é fantástica, porque ali existiu um dos maiores desertos da terra e passaram os dinossauros; quem é o homem que mora nessa região, o nosso caipira, estudado no local por Antonio Candido entre 1947 e 1948; qual o imaginário desse caipira, suas histórias de assombração, mula sem cabeça, sacis e disco voadores; e a música que embala essas histórias, nossa música sertaneja de raíz.

De onde vem o seu interesse pelo universo rural? Qual é a importância de se colocar este universo na tela?    

Eu nasci em uma fazenda no interior de São Paulo, morei em um patrimônio de menos de 1000 pessoas até meus onze anos, portanto tenho uma memória de infância muito forte e presente na minha vida. Acho que colocar essa perspectiva, essa visão histórica de uma região fantástica e pouco conhecida e o universo do homem que habita esse local ganha importância significativa em uma tela de TV e nas telas do cinema, não apenas no Brasil, mas também no exterior.

Como foi o processo e pesquisa?

Eu viajei durante quase dois anos para Botucatu, Pardinho e Bofete, fiquei hospedado sempre em uma pousada no miolo da Cuesta de Botucatu, embaixo das Três Pedras, ouvi muitas histórias, conheci muita gente, então foi relativamente fácil partir para as gravações. Fiz um recorte como afirmo acima, mas essa região e o interior de São Paulo são tão ricos em causos, estórias, personagens que tive em determinado momento que parar, senão o filme não acabaria nunca. Há muitos assuntos ainda a serem pesquisados e produzidos com a cultura do interior.

Houve alguma surpresa durante o processo?

Algumas surpresas, como a de um morador local que afirma peremptoriamente que viu junto com a família um disco voador, em formato de play station2. Mas ele não apenas afirma, como diz que teve um contato telepático e que esses visitantes não são seres de outro planeta, mas gente da terra voltando do futuro para ajudar a gente aqui. Só do imaginário de um caipira você ouve alguma coisa como isso.

Vai ter viola na tela?

Sim, vai ter muita viola, cobri um festival dedicado ao Tião Carreiro, em Pardinho, em que me surpreendeu o número de participantes femininos, inclusive uma menina de 15 anos que vai ser um show. Agora estou viajando nesse feriado de Tiradentes para cobrir o Festival Carreirinho, em Bofete, as últimas gravações, onde também vai ter torneio de viola e muito show.

Como este projeto será veiculado?

O projeto já tem uma carta de intenção de uma rede emissora de TV em canal fechado interessada em veicular a série, estamos tentando uma parceria com a TVTem para exibir a série nessa emissora que cobre o interior paulista. E estamos finalizando também um longa metragem que tem estréia programada e em finalização com a Secretaria de Cultura de Botucatu, para uma grande premiere a ser realizada no dia 15 de agosto, quando se comemoram os 80 anos da primeira apresentação da dupla Tonico e Tinoco, que aparecem no filme. Essa premiere deve acontecer no cine Nellis, o primeiro cinema de  Botucatu, recuperado pela Prefeitura. Vai ser uma apresentação especial, inclusive estamos pensando em um show de viola para fechar o evento.

Mais detalhes e vídeos podem ser encontrados na página do projeto.

http://ospovosdacuesta.blogspot.com.br/search?updated-max=2014-11-22T01:42:00-08:00&max-results=7

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